Aprenderás do teu modo que ao longo do caminho da vida encontrarás muitas máscaras e poucos rostos. Esta uma frase de Luigi Pirandello. E, seguindo e adaptando o texto “Virus, maschere e paure dell’Ocidente terminale” deste autor, escrevemos: 

Hoje, com a pandemia do coronavírus descobrimos a verdade literal deste aforisma e constatamos que, infelizmente, a dura realidade é a máscara e não mais o rosto. A máscara não é uma metáfora, mas o símbolo real de um mundo e de um ocidente em declínio, que muda para pior. 

Certamente termina-se uma era e inicia-se outra. Parece que terminou a era do Homo Sapiens entendido à maneira de Aristóteles, como animal político. Será muito difícil retomar a confiança no próximo, com ele fechado na sua concha. O momento atual preocupa por tudo que está no submundo e que não é percebido pelas pessoas boas, reflexivas e de bom senso. O instinto gregário determinado pelo medo faz com que muitos falem, poucos pensem, e ninguém tenha reação alguma. 

Vive-se sob a ditadura do medo, um sentimento corrosivo, que vai matando tudo aos poucos, bloqueia os afetos, torna as coisas cinza-escuro, hostis, impedindo o desabrochar vital, que se nutre exatamente do contrário do medo, a coragem. 

O último homem a desafiar publicamente o medo foi o Papa Wojtyla, no famoso discurso em que exortava os fiéis a lançar fora o medo (Non abbiate paura) e escancarar as portas para Cristo. O medo sempre foi considerado uma fraqueza, um muro a ser escalado. Shakespeare escreveu certa vez: “Os covardes morrem mil vezes, mas o homem corajoso não experimenta a morte mais que uma vez”. Os ocidentais não creem mais na destinação escatológica e ultraterrena e, menos ainda, confiam em Deus: não resta mais do que defender, com unhas e dentes, o pedacinho de vida que resta. 

O medo, a divisão e a manipulação são as armas do poder, sempre. A força do inimigo mora, justamente, na nossa incapacidade de compreender, o seu êxito está na servidão voluntária na Caverna de Platão… Tempos difíceis.

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