O nosso mundo vive uma crise de ordem social causada, em primeiro lugar, por uma cultura de individualismo que parece dominar todos os ambientes. Isto vai na contramão de uma lógica: o ser humano não nasceu para viver sozinho, mas para ter uma vida em sociedade, a começar pela família.

Por isso, é necessário frisar que não podemos deixar de lado a vida em comunidade. Já está mais que provado que a convivência entre as pessoas traz benefícios não apenas para o indivíduo, mas todo o contexto social.

E foi pensando nisso que foram criados os Grupos Bíblicos de Reflexão. A vida parece que fica melhor nas comunidades que têm grupos ativos. As pessoas desenvolvem uma confiança maior entre elas. Nos pequenos grupos, as pessoas têm mais liberdade para falar, para expor suas ideias. É muito mais fácil de viver a Palavra de Deus nestas circunstâncias, sabendo que ali há pessoas que convivem com a gente e que estão sempre do nosso lado. O senso de comunidade fica mais evidente nos pequenos grupos. E é isso que precisamos fortalecer. Afinal, a Igreja é uma rede de pequenas comunidades.

E só tem um jeito de aumentar essa consciência sobre a vida em comunidade: é fazendo missão. Ser missionário não é uma coisa nova. Isto vem desde os tempos de Jesus, que pediu que os missionários fossem enviados de dois em dois. A missão é ir de casa em casa. Os apóstolos se alegravam porque a multidão que seguia a Jesus aumentava cada vez mais. Quando a Igreja fala em missões, ela fala exatamente no sentido das origens das missões.

Para mim, o mês missionário é um momento muito oportuno para a gente refletir sobre este assunto. O que estou fazendo para dar continuidade à missão de Jesus? Tenho sido uma pessoa que colabora ou que age com indiferença como se isto não tivesse nada a ver comigo?

A missão pressupõe um compromisso de saber como está a fé do povo, se o povo está feliz com a pregação do Evangelho. A missão nossa é essa ai: a de levar a mensagem de Jesus Cristo para todos. Jesus veio ao mundo para levar a salvação às pessoas e andava de aldeia em aldeia para cumprir este objetivo. Jesus sempre está no meio da multidão quando faz algum milagre. Ele nunca está dentro de casa, sozinho, esperando a pessoa chegar. Jesus anda, visita o templo, chama as pessoas, acolhe.

O mês missionário é para a gente caminhar, estar junto com o povo, ver o sofrimento deste povo e trazer este povo para dentro da igreja. Para mim, este é o verdadeiro sentido missionário. E só assim podemos reduzir esta cultura individualista que domina o mundo atual.


Padre Pedro Ramos de Faria, SAC
Pároco
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