Inauguração da Paróquia

A Sociedade do Apostolado Católico fez um completo levantamento histórico da Província São Paulo Apóstolo, na qual o Paraná está inserido. O volume VI, sobre os institutos de formação palotina, descreve como foi a construção de nossa paróquia. E um detalhe que chama a atenção no texto é a referência à uma “igreja semi pública”, o que se subentende, não seria exclusiva dos seminaristas.

Acompanhe a seguir a reprodução deste documento:

“Em princípios de 1947 foi empossado no seminário o terceiro governo, sob a chefia do Pe. Carlos Giebel. A promoção deu-lhe ensejo de perpetuar seu nome na história dos padres palotinos com a construção da igreja dedicada à Rainha dos Apóstolos. Falamos de igreja, pois não se tratava de uma capela interna para os seminaristas, mas sim de uma igreja semi-pública, acessível e aberta também para os católicos do bairro.

Esta intenção determinou o local da construção: o terreno ao lado leste do prédio, destinado inicialmente para uma ala lateral. Determinou-lhe também as dimensões. Seguindo as instruções do governo da casa, o arquiteto Dr. Lohbauer, de São Paulo, forneceu a planta para uma igreja retangular de estilo romano, com nave de 13 por 33 metros, presbitério de oito por oito metros e duas sacristias. O tamanho era de uma matriz paroquial.

A construção dos alicerces e o levantamento das paredes foram tratados com a firma Construtora Brasil, de Londrina, representada pelos senhores Kretsch. O seminário incumbiu-se do fornecimento do material (tijolos, areia, etc), visto que contava com grande número de benfeitores, tanto na cidade como na zona rural.

Em 15 de janeiro de 1948 o primeiro material foi descarregado no lugar da construção e em maio ela estava em pleno andamento.

Ao mesmo tempo os Irmãos Marino, de Jacarezinho, preparavam o madeiramento para o telhado, serviço que terminou em abril de 1949 com a colocação das tesouras e telhas.

Naquele tempo ainda se podia falar de mata virgem em Londrina. A indústria de madeira florescia. Certo dia os Irmãos Schneider, marceneiros finos e já conhecidos no seminário por trabalhos menores, vieram com uma sugestão. Pensavam eles que este novo templo de Deus havia de conservar para as gerações futuras a lembrança perene de que surgiu do sertão, e isso pelo farto uso de madeira em seu acabamento interior. A bela idéia conquistou a simpatia do reitor e a execução foi entregue justamente a eles. Na oficina começou o febril trabalho de lavrar a madeira para o forro de caixilhos, a tribuna dos cantores, o oratório ao lado, a longa barra a vestir a parte inferior das paredes, os três altares, a mesa de comunhão, púlpito e os armários tomava conta do ambiente. A grande tarefa terminou em dezembro de 1950.

Quanto às janelas, o cronista refere-se apenas que foram dádivas de benfeitores. As janelas do presbitério e da tribuna dos cantores ficaram em branco, e a nave recebeu a luz por 11 vitrais, bem altos, mas um tanto estreitos, que foram distribuídos de acordo com o espaço, sete na parede exterior e quatro na interior. Representam em cores vivas os mistérios do rosário. Por sorte o desenhista gravou o seu nome na obra. Foi o escultor Bernardo Heise, artista conhecido em São Paulo. A este seu amigo o reitor Pe. Carlos Giebel confiou também toda ornamentação da igreja. Consistia numa série de estátuas em tamanho natural, e de várias obras de alto relevo, entre as quais se realçavam as 14 estações de uma via-sacra de grande valor. A tarefa era exaustiva para um só homem e de idade adiantada, sua execução um tanto incerta, em vista do longo tempo e dos custos que exigia. Para salvar a harmonia do conjunto não foi admitida concorrência com outros artistas. Também ficou de pé o princípio: tudo de madeira.

Heise começou a sua tarefa com a cena do calvário, isto é, com o crucifixo, ladeado das estátuas de Nossa Senhora das Dores e de São João Evangelista. O grupo foi fixado na parede da apside, acima do altar-mor. Impõe-se ao ambiente porque é de tamanho natural. Seguiram, depois as estátuas de São Vicente Pallotti, de Nossa Senhora Mãe Três vezes Admirável e outras. Também a via-sacra foi começada durante o governo de Pe. Carlos Giebel, com dois quadros. Devido à sua transferência deixou a seus sucessores o complemento da obra.

Em dezembro de 1950 a igreja estava em condições de ser inaugurada. Como data, foi escolhida a festa do Natal. De fato, no dia 24 de dezembro de 1950 Pe. Alberto Strittmatter, vigário da matriz do Sagrado Coração de Jesus, realizou a cerimônia da bênção e o reitor rezou a missa solene. No sermão esclareceu a importância do dia para o seminário e para o povo católico do bairro. A igreja estava totalmente lotada e, durante todo o Natal, os fiéis se comoveram presenciando a liturgia festiva que o espaço possibilitava. Notava-se que, já desde o começo, a igreja tomou feição de matriz. Doravante, os padres rezavam duas missas nos domingos e festas, uma cedo para os seminaristas e uma às 10h para o povo.

No dia da inauguração a igreja alinda não tinha assoalho. Mas já em 27 de dezembro de 1950 os pedreiros já começaram o ladrilhamento que foi terminado em janeiro.

A fachada foi coroada por uma pequena torre no meio, destinada para os sinos. Estes vieram em 14 de março de 1950 da fábrica Bellini, Garibaldi, RS. Eram três: o maior, consagrado a Rainha dos Apóstolos; o médio, a São José e o pequeno a São Vicente Pallotti. Começaram a funcionar com uma bênção simples, esperando por mais de dois anos a consagração. Finalmente, no segundo domingo do mês de julho de 1952, Dom Geraldo Sigaud compareceu ao seminário para este fim. A cerimônia foi realizada no pátio, em frente da igreja com a assistência dos padres, seminaristas e amigos. No sermão, Dom Geraldo exprimiu a sua satisfação, louvando o trabalho pastoral que os padres faziam na sua igreja.

A aparência exterior da igreja não é monumental. Está incorporada ao prédio do seminário e este lhe diminui a individualidade. A fachada simples, elaborada por Bernardo Heise, não agradou ao construtor, Pe. Carlos Giebel. Todavia, o fim de seu governo pôs fim também aos seus planos. A beleza da igreja está no seu interior. A luz, quebrada pelos vitrais coloridos e pelo brilho opaco da madeira envernizada, dá-lhe um ar místico que convida ao recolhimento.

 

Quinta paróquia da cidade

A transformação da igreja “semi-pública” em igreja matriz só aconteceu oito anos após sua inauguração. A nossa paróquia foi a quinta a ser criada na cidade de Londrina. As primeiras foram: Sagrado Coração de Jesus (catedral), em 1934; Nossa Senhora Aparecida, 1952; e Nossa Senhora das Graças e Nossa Senhora de Fátima, ambas em 1955.

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