O belíssimo mês de maio me traz as melhores lembranças da minha infância, como coroinha, que fui, em minha terra natal. Nós rezávamos o Santo Terço nas famílias durante os trinta e um dias do mês. Sentíamo-nos protegidos e amados por esta terna e doce Mãe.

Pensamos em Maria, mulher cheia de graça, nossa Rainha e Padroeira, a plena de céu. Antes de dizer o seu “sim” a Deus, o próprio Deus disse “sim” a ela. E ele também diz “sim” a cada um de nós, antes de qualquer resposta nossa aos seus apelos. Afinal, graça é graça e não mérito ou cálculo.

O Altíssimo se enamorou de Maria e seu nome sempre será – a Amada. Como ela, também nós somos amados para sempre, todos, com ternura e gratuidade, para todo sempre.  

E neste mês tão especial, o nosso amor por Maria transborda. E este amor deve espalhar-se pelo irmão que está ao seu lado, inundando também nossa vida e nosso ser.

Maio é o mês em que, normalmente, acontece a festa da Padroeira, a nossa mais que enamoradíssima Mãe, a Rainha dos Apóstolos – tal como era chamada por São Vicente Pallotti.

É um mês todo dedicado a contemplar a Beleza de Maria (Tota Pulchra es Maria, Toda-Bela és Maria). Um excelente exercício para este mês, tão especial, é o estudo dos dogmas marianos que revelam todo o mistério desta mulher divina e maravilhosa. Assim como o próprio Deus vê Maria, em toda a sua verdadeira grandeza. Como acena o mariólogo Frei Clodovis, os dogmas marianos evocam tudo o que Deus operou em Maria.

Neste mês, sempre nos deparamos com a força do sensus fidelium (senso dos fiéis) mariano, ou seja, a intuição que o Povo de Deus tem acerca da importância de Maria em sua vida de fé.

O senso dos fiéis é uma espécie de “instinto da fé”, como explica o teólogo Frei Clodovis. São as razões emanadas do coração que crê. E como o nosso povo católico tem um instinto da fé tão aguçado! Quando se trata de Maria, o coração se derrama de amor e devoção.

Quando o Povo amado de Deus acredita em alguma coisa “em muitos lugares, por muito tempo e através de muita gente”, como dizia São Vicente Lerinense, ele certamente não se engana.

Quando se trata de Maria existe e sempre existiu no coração do Povo fiel, uma espécie de infalibilidade in credendo (no crer), que complementa a infalibilidade in docendo (no ensinar), a qual é competência do magistério de nossos Pastores, como ensina a Lumen Gentium, n.12.

Maria está no coração e no senso de fé do Povo que a ama, a invoca e se esforça a cada dia em imitar a sua vida de virtudes e de serviço, tal como foi, a Rainha – uma serva de Deus.