Nossa Igreja nos apresenta diversas pessoas que, por meio de seu testemunho de vida, nos fazem refletir e nos espelharmos buscando sempre a santidade. São os chamados Santos. Mas alguns santos recebem o título de doutores da Igreja.

O título de doutor é definido pelo Direito Canônico. Declarando como extraordinária a importância deste ou daquele santo na compreensão da doutrina da Igreja Católica.

Um doutor, em seu grau acadêmico, detém grande conhecimento acerca de determinado assunto ou de sua área de estudo.

Dessa forma, os doutores da Igreja são aqueles que deram uma grande contribuição para a Igreja deixando profundos ensinamentos teológicos e de testemunho de vida, que o magistério da Igreja absorveu e tomou como ensinamento para todos os fiéis leigos e religiosos. Seus escritos são o meio pelos quais eles confirmam a doutrina cristã e que impactaram para sempre a história da Igreja.

O processo de reconhecimento de um Santi Doutor da Igreja é dividido em três partes: a primeira é o reconhecimento da importância da doutrina (Eminens doctrina); a segunda remete ao alto grau de santidade (Insignis vitae sanctitas); por fim, a terceira é a declaração pela Igreja (Ecclesiae declaratio), onde somente o sumo pontífice pode declarar um santo doutor.

Assim, um santo é considerado doutor após um longo e minucioso processo, em que sua pessoa fora uma figura que impactou profundamente e deixou uma grande reflexão teológica. Nos dias de hoje, contamos com 36 doutores da Igreja, dentre eles quatro mulheres.

Uma das santas doutoras é Santa Hildegard von Bingen (1098-1179). Era monja e se destacava em diversas áreas do conhecimento humano, como medicina, artes plásticas, música e literatura. Estudava muito o uso das ervas e é também conhecida como a precursora da homeopatia.

Santo Ambrósio (ano 339) nasceu em uma família romana de classe alta e, antes mesmo de ser batizado, quando ainda era catecúmeno, foi aclamado popularmente como bispo. Ambrósio desde cedo aprendeu a alimentar as virtudes cívicas e morais, ao ponto de ter sido governador da Emília, do Lácio e de Milão, antes de ser bispo. Estudou Direito antes de estudar Teologia. Foi um homem que partilhou toda sua sabedoria e riqueza com o povo. Além disso, teve um papel fundamental na conversão de Santo Agostinho, inclusive realizando seu batizado.

O doutor da Igreja, Santo Agostinho, foi um dos principais teólogos e filósofos nos primeiros séculos da Igreja. Suas obras são amplamente difundidas e conhecidas em diversas áreas humanas, especialmente na filosofia. Desenvolveu uma abordagem original à filosofia e teologia, acomodando uma variedade de métodos e perspectivas de uma maneira até então desconhecida. Acreditando que a graça de Cristo era indispensável para a liberdade humana, ajudou a formular a doutrina do pecado original e deu contribuições seminais ao desenvolvimento da doutrina da guerra justa.

Podemos citar também, dentre os doutores da Igreja, Santa Terezinha do Menino Jesus, padroeira das missões. Era irmã carmelita e durante toda a vida religiosa se manteve em oração e desenvolveu a espiritualidade da teologia do pequeno caminho, a fim de combater um momento em que o ateísmo estava se difundindo.

Cada um dos doutores da Igreja contribuiu de modo a, além do transcendente, fazer com que todos possamos trilhar os mesmos caminhos rumo à santidade.

Texto: Flávia Michels Luppi

Foto: Cathopic.com