Iniciamos a Quaresma. Sabemos que este tempo, particularmente, é um período de grandes lutas. Assistimos atordoados às grandes dificuldades que sofrem a humanidade: pestes, guerras, caos… “A nossa batalha não é contra criaturas de sangue e carne, mas contra os Principados e Potestades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra os espíritos do mal” (Efésios 6,12).

A vida espiritual, enredada por batalhas, não é, certamente, um conceito privilegiado das pregações da atualidade. Em geral, prefere-se dourar a pílula, ignorando a presença e a ação do demônio. Deveríamos nos perguntar: “A que se refere, de fato, este termo batalha? O que está em jogo?”

Aqueles que se veem como “católicos adultos”, possuidores de demasiada cultura teológica, ou refinados demais para rebaixarem-se a uma reflexão tão simples, acreditam que tudo aconteça no plano do diálogo com o mundo. O diabo, como uma temática a ser estudada, é carregado de muitos escrúpulos, ou simplesmente ignorado, visto por muitos como um assunto ultrapassado, ou superado pela atual psicologia. Mas a Igreja, por séculos, ensinou, e ainda nos ensina, que o mundo é dominado pelo inimigo – o filho das trevas – e que, portanto, há pouco o que dialogar.

O diabo “é o dragão, a serpente antiga (Ap 20,2), aquele que cotidianamente promove uma guerra contra aqueles que procuram guardar os mandamentos de Deus e estão em posse do testemunho de Jesus” (Ap 12,15).

O diabo é astuto, o gênio do mal. Como sempre ensinou a Escritura, a tradição dos Padres e o Catecismo da Igreja Católica, lidamos com um anjo caído, provido de inteligência distinta, cuja destinação exclusiva é operar o mal na humanidade.

Em nossas vidas, o contato com a Palavra de Deus deve ser constante, o que implica em disponibilidade à escuta e à fé. É Deus que sempre tem a resposta certa, o mundo não! E neste tempo quaresmal, necessitamos mais ainda de manter esta escuta com Ele. O único modo para enfrentar esta “batalha” é fazendo aliança com Deus. É preciso procurá-lo e colocarmo-nos em oração: “Senhor, fazei-me compreender a tua vontade!”

O diabo utiliza os nossos pensamentos como campo de batalha. É ali que ele nos encontra, quando enfraquecidos na fé, com a falta de estima contra nós mesmos, com o cansaço da vida mundana, o pessimismo crônico… sentimentos que favorecem esse abate. É preciso lembrar sempre que somos preciosos aos olhos de Deus, e estamos revestidos de uma armadura potentíssima e invencível: o nosso batismo!

 Para muitos falta a plena consciência do que seja, em sua essência, o batismo. Como poderia alguém enfrentar a batalha espiritual da vida sem esta armadura? No instante em que somos batizados, em nós, tudo muda. Naquele instante recebemos o Espírito Santo, em nós vive o Espírito de Deus, nascemos para a vida em Cristo.

Outra importante “arma” na batalha espiritual é a oração. Como está sua vida de oração? A oração é uma estratégia fundamental que deve ser usada contra os demônios que, cotidianamente, nos atacam, e contra todas as situações que o mal coloca no nosso caminho, a fim de nos desanimar, deprimir e vencer.

Como cristãos orantes, deixemo-nos inflamar pelo Espírito Santo recebido em nosso batismo, coloquemos, neste tempo quaresmal, nossas orações voltadas ao fortalecimento de nossa fé, para que possamos viver com confiança e coragem a vida que Ele nos deu, e cumprirmos com nossa missão de batizados em Cristo!

Uma santa Quaresma para todos nós.

Foto: Cathopic.com