O nosso novo pároco, padre Bruno Áthila Nascimento Silva, já tem em mente o que pretende fazer em nossa comunidade assim que assumir a nossa paróquia no próximo dia 3 de março. Ele vai incentivar a formação de lideranças, dar uma atenção especial à juventude e priorizar a vida espiritual, sem deixar de lado as questões sociais. “A minha primeira missão como padre, como sacerdote, como pastor e como pároco, é aproximar as pessoas de Deus. Isso é indiscutível, isso é absoluto: levar as pessoas até Deus e trazer Deus até as pessoas. É nessa linha que eu vou caminhar”.

Ele acredita que poderá contar com a colaboração das lideranças porque sentiu uma empatia desde que chegou à comunidade há quase um ano. “Eu senti que fui muito bem acolhido, que tive uma aceitação das pessoas. Rolou uma química boa”, disse.

Com apenas 31 anos, o padre Bruno será o pároco mais jovem a assumir a nossa paróquia desde que ela foi criada há 60 anos. (Veja quadro comparativo no final da entrevista).

O padre Bruno concedeu uma entrevista exclusiva a O Cenáculo alguns dias após a sua nomeação. Acompanhe a entrevista:

O senhor foi ordenado sacerdote há cinco anos e passou a maior parte desse tempo em Roma. Como foi essa experiência?

Em Roma,eu fiz o mestrado em teologia bíblica, na Universidade Gregoriana, dos jesuítas, porque lá é o local mais indicado para estudar Bíblia, ou lá ou no instituto bíblico, que também é dos jesuítas. Eu era um padre novo e a minha experiência em Roma foi muito boa. Foram anos muito felizes porque eu sempre tive vontade de conhecer Roma, mas nunca tinha imaginado que um dia iria morar lá, iria estudar lá. Roma é o centro do Cristianismo, do Catolicismo. Ali a teologia é sempre atual, as pesquisas, os estudos. Para mim foi muito bom, uma experiência muito marcante. Foram quase quatro anos vividos intensamente. Eu mergulhei muito na vida espiritual de Roma. Em Roma a gente vê esse aspecto da universalidade da igreja. E mesmo na universidade, a gente tem contato com pessoas de vários lugares do mundo, então isso acaba se enriquecendo muito.

E como foi o estudo da Bíblia neste período?

O estudo da Bíblia foi o grande desafio. Foi um estudo muito exigente. Estudar a Bíblia é muito exigente por causa das línguas antigas que você tem que estudar, e todo o conteúdo é muito complexo, às vezes, chega a ser sofrido. Mas também foi uma experiência muito boa, aumentou muito o meu conhecimento e a minha visão da Bíblia, da Palavra de Deus. Quando eu completei os estudos, após três anos e nove meses, fiz o exame final e retornei ao Brasil. A ideia era que eu ensinasse porque quem faz esse estudo normalmente passa a lecionar. Eu tive propostas para dar aula, mas era fora de Londrina.

Padre Bruno na celebração de Corpus Christi em nossa paróquia, dia 15 de junho de 2017

Roma foi a cidade onde Pallotti viveu. Alguma observação sobre isso?

Eu morei na mesma casa onde morou Pallotti. Ele morou na casa uns cinco anos, mais ou menos. A casa respira Pallotti, foi ali onde morreu. Eu gostava muito de celebrar missa no altar onde ele celebrava missa, que fica ao lado do quarto dele. Foi interessante morar naquela casa e naquele bairro onde Pallotti viveu. Ele praticamente ele não saiu daquele bairro, daquele ambiente, então você aprofunda mais o carisma, entende algumas coisas que você não entendia. Hoje, no dia de São Vicente Pallotti (quando foi feita a entrevista), vem toda a lembrança e de toda a mística que habitava o ambiente de Pallotti.

E o senhor veio direto para Londrina depois que voltou ao Brasil?

Eu vim para São Paulo, fiquei alguns dias ali e depois vim para Londrina. Em Roma, eu já sabia que viria para Londrina. A proposta era Curitiba ou Londrina, mas o provincial acabou definindo por Londrina. Eu fiquei na comunidade, e já o padre Pedro procurou me integrar na paróquia. E eu senti que fui muito bem acolhido, tive uma boa aceitação das pessoas. Rolou uma química boa, digamos assim. (risos)

O senhor chegou há menos de um ano, surgiu a possibilidade de que iria se tornar vigário, depois acabou reitor do seminário e agora veio a nomeação para pároco; tudo isso em menos de um ano. Como foi essa trajetória?    

Foi tudo muito rápido e muito intenso. A intenção inicial é que eu fosse o vigário porque a ideia básica era que eu me dedicasse à formação, dando aulas, mas o padre Pedro queria que eu me envolvesse com a paróquia, desse formação na paróquia. E nesse tempo, nós tivemos a saída de um padre (na comunidade palotina). O padre Reinaldo teve que substituí-lo, e como eu já estava aqui, acabei assumindo provisoriamente a reitoria do seminário (no lugar dele). E nessa mudança de provincial, o novo provincial me fez a proposta de fazer uma experiência pastoral já que eu fiquei a maior parte de meu sacerdócio, 90% dele, dedicado aos estudos. Ele então fez a proposta de me transferir como pároco para a Paróquia Rainha dos Apóstolos. A princípio, eu senti um pouco de medo, porque eu nunca fui pároco. Só fui vigário por um tempo, menos de um ano. Mas toda a acolhida, o carinho das pessoas, essa identificação, e essa química, me motivaram a aceitar a enfrentar esse novo desafio.

Padre Bruno, ao lado do diácono Renato e do padre Pedro, na celebração em ação de graças pelo quinto aniversário de seu sacerdócio, dia 1º de julho de 2017

E, de um modo geral, o que o senhor percebe de nossa comunidade?

A Rainha dos Apóstolos é uma paróquia muito boa. Eu vejo que tem uma riqueza de lideranças, de pessoas engajadas, que querem se dedicar e se dedicam realmente. A força laical da paróquia é muito boa. Eu vejo com muito otimismo a vida paroquial, como as coisas estão funcionando. É claro que existem coisas que precisam ser melhoradas, que precisam ser acompanhadas, desenvolvidas, mas a paróquia tem um potencial muito grande, muito bom. Uma riqueza humana e pastoral muito boa.

E como o senhor se sente prestes a assumir como pároco?

A princípio, eu me sinto colocado em um desafio. Ser pároco é algo muito sério; não que ser vigário não seja, ou ser sacerdote em geral não seja. O pároco é o padre que chegou à plenitude de seu sacerdócio, a plenitude de sua vida pastoral. É o padre que tem dar tudo dele mesmo, tem que acompanhar desde o início da criança que vai ser batizada até o idoso ou aquele que morre e tem que acompanhar. Então você acompanha todo o ciclo da vida, na vida sacramental, na vida pastoral. Também o cuidado que você tem que ter com a vida das pessoas que te procuram, que querem uma palavra, que querem um consolo, que querem ver as suas lágrimas enxugadas. Tem tudo isso. Eu vejo o pároco como um padre pleno, tem que dar tudo dele, tem que se gastar e se consumir em favor das suas ovelhas, que na verdade são as ovelhas do bispo, que ele ajuda como colaborador.

O senhor será o pároco mais jovem a assumir nossa paróquia. O senhor acha que isso favorece?

Eu vejo que favorece. O padre é alguém que trabalha em colaboração com as lideranças. Como a paróquia tem lideranças muito fortes, elas vão poder ajudar muito o padre. Estou disposto a ouvir e a dialogar. A paróquia tem uma juventude muito boa, viva, ativa. Tem muitos jovens. A juventude será o futuro da paróquia. E nós temos também os mais velhos, que virão com segurança para dar a sua colaboração. Estou muito aberto ao diálogo, à colaboração de todos. É próprio do meu perfil, dialogar. O meu perfil é mais de trabalhar com a colaboração, não muito de centralizar as coisas. Quem centraliza, se enfraquece e enfraquece toda a estrutura. A colaboração é própria do carisma palotino. Pallotti trabalhava muito com a ideia de que todo mundo pode colaborar, todo mundo pode participar no seu limite, naquilo que pode fazer. Quando você vem com esse espírito, os mais velhos se sentem atraídos para ajudar e os mais jovens se identificam porque veem que alguém na altura deles vai poder ouvir e estar junto.

Tem sacerdotes que têm maior afinidade com o aspecto social, outros com o aspecto espiritual. Como o senhor se situa neste pormenor?

A minha ideia é estar em plena comunhão com a arquidiocese. Tem que ser assim. Com o plano de pastoral, com as diretrizes determinadas pelo bispo. Mas eu quero deixar a paróquia, quando chegar o tempo de deixar, com as lideranças bem formadas; eu quero investir muito na formação, na espiritualidade. Que seja uma paróquia viva na espiritualidade, na formação, na doutrina, no conhecimento. Nesse sentido. É claro, mas sem abandonar as questões sociais que são importantes, que tocam a vida da paróquia, que tocam a cidade de Londrina; mas sem ideologizar as coisas, sem rotular. A minha primeira missão como padre, como sacerdote, como pastor e como pároco, é aproximar as pessoas de Deus. Isso é indiscutível, isso é absoluto: levar as pessoas até Deus e trazer Deus até as pessoas. É nessa linha que eu vou caminhar. Todas as outras coisas, como diz Mateus, buscai o reino de Deus e todas as outras coisas vêm por acréscimo.

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