A Regra de São Bento, do Capítulo VIII ao Capítulo XX, fala de como a oração dos monges deve ser organizada.  Como monges que vivem no mundo, deveríamos começar a organizar a nossa oração cotidiana, tal como uma “Opus Dei” (= Obra de Deus) concebida pela Regra.

 O conceito de “Opus Dei”, como oração, é intenso e profundo. São Bento afirma que, entre os afazeres do mundo, a oração dos monges é a maior obra de Deus que pode ser realizada, até mais que o próprio trabalho.  

São Bento afirma que não é necessário que nossas orações sejam longas.  Ao contrário, devemos orar com frequência e com perseverança, mesmo que de modo breve. A constância nos permite criarmos um ritmo diário, se ao fazermos isso nos mantermos sempre à luz da insistência do pedido de bênçãos ao Pai.

É importante que nós, como “monges no mundo” e não em um mosteiro, possamos encontrar a maneira certa de organizar nossa vida de fé, iniciando nosso dia com a nossa Liturgia das Horas – a oração que segue o ritmo do tempo em uma jornada.

A primeira oração da manhã a ser celebrada é o Ofício das Leituras, que deve ser realizada de madrugada, preferencialmente, ou em qualquer hora do dia. (Você encontrará na internet explicações e tutorias para isso).

A segunda oração é a Oração da Manhã – Laudes, que deve ser realizada por volta das 6horas. A terceira oração é a Ad Tertiam, por volta das 9horas. A quarta é a Ad Sextam, por volta das 12h. A quinta oração é a Ad Nonam, por volta das 15h.

A sexta oração é a Vésperas, por volta do pôr do sol. A sétima oração é Completorium ou Completas, realizada sempre antes de dormir. E, ainda, ressaltamos a importância da participação diária na Santa Missa.

Como podemos perceber, a Liturgia das Horas é composta por sete orações. Ou seja, são sete os momentos de oração do cristão. Neste ponto, São Bento recorda o Salmo 119: “sete vezes ao dia eu te louvo”, precisamente porque a oração de quem quer buscar a Deus se faz sete vezes.

Esta parte da Regra Monástica nos ajudará a compreendermos cada vez mais este aspecto, levando em consideração uma atitude: as setes orações nada mais são do que o salto para prepararmos o coração para a oração incessante.  Assim, depositaremos toda nossa jornada e nossa vida na oração.

Cabe-nos ainda nos questionarmos: qual a melhor forma de organizar esse estilo de vida?  Em primeiro lugar, o Ofício das Leituras deve constituir a primeira oração a ser recitada pela manhã, junto com Laudes. 

Para isso, você precisa fazer um pouco de esforço e acordar um pouco mais cedo do que de costume. Sabemos, certamente, que estamos sujeitos à vida que construímos. Todos nós ​​podemos começar o dia rezando.  Basta acordar cerca de meia hora antes, ao que de costume, e dedicar este precioso tempo do seu dia à esta Obra de Deus. Tenha certeza de que o seu novo dia começará com um espírito completamente diferente.

Ao encaixar momentos de oração durante os seus afazeres diários, também é possível celebrar as três Horas Médias, ao mesmo tempo.  Ou, se possível, em momentos separados.

Tudo dependerá da modalidade ou tipo de trabalho, ou ainda, de qualquer outro fator individual que defina vossos dias.  Cada um pode dar este ritmo orante ao seu dia, a partir do próprio esquema cotidiano. Comerciantes, trabalhadores de diversos tipos, estudantes, donas de casa, policiais, esportistas, políticos etc.  Cabe a cada um construir, dentro de sua própria rotina diária um espaço para celebrar a oração.

Vésperas se celebra ao anoitecer. Completas antes de adormecer. Ao recitar e cumprir as setes orações, embarcaremos em uma nova aventura no Espírito.

E se o pensamento que se apodera de você neste momento é “não consigo, estou muito ocupado durante meu dia”, saiba que esta é certamente uma tentação do diabo. Simplesmente, convido você a começar tentando. A experiência da oração, com os textos da Liturgia da Igreja, é muito enriquecedora, gratificante e edificadora.