Existe a ideia de que na época de Natal a comemoração se resume ao dia 25 de dezembro. Em uma sociedade que vive em frenesi de compras, preparações da ceia, viagens com a família, esquece-se de que a comemoração vai além de um dia.

A palavra Oitava vem do latim Octava com “dies” subentendido. A prática é observada desde o Antigo Testamento com a celebração da Festa dos Tabernáculos e da Dedicação do Templo pelos judeus. O oitavo dia é uma referência à ressurreição e, por isso, as fontes batismais e tumbas cristãs tinham a forma de octógonos.

A prática das Oitavas foi introduzida por Constantino I para a dedicação das basílicas de Jerusalém e Tiro. Após isso, surgiram as oitavas da Páscoa, Pentecostes e, no oriente, a Epifania. O processo de instituição das Oitavas de Páscoa foi lento: teve início no século IV indo até o VII d.C. O Natal foi a próxima festa a receber a oitava.

Como existiam classificações da oitava até a primeira metade do século XX, o Papa Pio XII simplificou o calendário com um decreto em 23 de março de 1955, mantendo apenas o Natal, a Páscoa e Pentecostes.

A Oitava de Natal é organizada da seguinte forma: festa de Santo Estevão (dia 26), festa de São João Apóstolo (dia 27), festa dos Santos Inocentes (dia 28), nos dias 29, 30 e 31 de dezembro as celebrações memoriais opcionais são permitidas. A Solenidade de Maria, mãe de Deus, é celebrado em 1 de janeiro.

Assim, a Oitava de Natal é um aspecto do testemunho do mistério da Encarnação, a reflexão sobre o grande mistério de Deus, que desceu do céu para entrar na nossa carne (c.f. Papa emérito Bento XVI, 9 de janeiro de 2013). E para os fiéis, um tempo a mais para vivenciar as bênçãos de Deus nesse período.