No dia 8 de dezembro a Igreja Católica celebra o dia da Imaculada Conceição. A data recorda a publicação em 1854 da Bula Ineffabilis Deus pela Papa Pio IX que declara o dogma da Imaculada. 

Quando a Igreja proclama um dogma ela se baseia em cinco princípios: a Sagrada Escritura, a Tradição (período da Patrística), a liturgia, o Magistério da Igreja e o Sensus Fidei (senso de fé do povo). 

O dogma da Imaculada ensina que Maria foi concebida sem pecado, ou seja, ela foi preservada do pecado desde a sua concepção no útero de sua mãe, Sant’Anna. O padre Valdomiro Rodrigues, mestre em Mariologia pela Pontifícia Faculdade de Teologia Marianum, de Roma, e diretor espiritual do Seminário Paulo VI de Londrina, explica que nada se reconhece ou se declara a respeito de Maria sem se compreender a finalidade. 

“Tudo que se passa com Maria e que a Igreja reconhece, seja do ponto de vista dogmático, seja do ponto de vista de título, tudo que se diz é por causa de Jesus”, afirma o padre. 

Para compreender o dogma da Imaculada é preciso entender que para a Igreja a transmissão do pecado se dá por geração, ou seja, toda a mulher que gera uma criança transmite o pecado original para ela.  “No caso de Maria, gerando Jesus e fazendo ela parte da natureza humana, se ela fosse portadora de pecado transmitiria o pecado a Jesus por geração”, explica Pe. Valdomiro. 

O Evangelho de João diz que Jesus “é o Verbo que se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1,14) e que segundo o evangelista é o “Deus que se encarna” (Jo 1,1), e que o Deus Conosco é o Emanuel do profeta Isaias (Is 7,14). 

“Se ela [Maria] tivesse pecado e gerando Jesus, o Deus vindo ao mundo seria manchado com o pecado. Se Deus está manchado pelo pecado ele não pode salvar ninguém. Esse é o fundamento para compreender que para que Jesus viesse sem ser tocado pelo pecado, aquela que iria gerá-lo não poderia ter pecado”, ensina o padre. 

Existem dois textos da Sagrada Escritura que justificam o dogma de que Maria é concebida pura de pecado. Em Gênesis, Deus diz profeticamente que vai surgir uma mulher que vai gerar um filho e, por meio deste filho, será vencido o pecado (Gn 3,15). 

“Isso equivale dizer que tanto a mulher que vai gerar quanto o filho que vai nascer não serão contaminados pelo pecado, do contrário não poderia vencer o pecado. Ela traz o antídoto para vencer o pecado”, diz o mestre em Mariologia. 

Em Lucas 1,26-38, texto da anunciação, na saudação à Maria o anjo diz ‘Ave cheia de Graça’, o que equivale dizer em latim plena de graça. “Pela saudação o anjo a reconhece como plena de graça e só está pleno da graça quando existe ausência de pecado. O próprio anjo reconhece Maria como pura de pecado”, declara Pe. Valdomiro. 

MOMENTO DA PURIFICAÇÃO 

A ausência de pecado de Maria foi um assunto consagrado na Igreja, mas havia um questionamento a respeito do momento que Maria teria sido purificada. Teria sido após o nascimento, na sua apresentação no Templo, no momento da anunciação? 

Doutores (teólogos) como São Bernardo, Pedro Lombardo, Santo Alberto Magno, Alexandre de Halles, São Tomás de Aquino, São Boaventura, Melchior Cano, entre outros, se opunham a crença da Imaculada e acreditavam que a purificação teria ocorrido no seio materno. 

Frei Clodovis M. Boff, OSM, escreveu no livro “Dogmas Marianos – Síntese Catequético-pastoral”, que os teólogos dominicanos eram os que mais contradiziam a crença da Imaculada. Enquanto os franciscanos eram os maiores defensores. “As disputas entre as duas correntes eram tão ardorosas que chegavam não raro às vias de fato (…)”, escreveu o frei. 

“A Igreja para cessar qualquer dúvida, qualquer discussão, entendeu que na concepção de Maria, ao formar o seu corpo, foi sem o incurso do pecado. Ela é purificada no momento da concepção”, diz padre Valdomiro Rodrigues. 

Com a proclamação da Imaculada Conceição a Igreja reconhece que ocorre uma redenção antecipada de Maria e isso justifica outro dogma mariano, a Assunção, celebrado em 15 de agosto. 

Ofício da Imaculada Conceição

O Ofício da Imaculada Conceição é uma oração popular, que se tornou muito conhecida no Brasil. Foi escrito em latim, na Itália, por volta do ano 1670, pelo franciscano Bernardino de Bustis, com o objetivo de proteger a doutrina da Imaculada Conceição dos ataques que sofria dos hereges.

O escrito foi aprovado pelo Papa Inocêncio XI no ano de 1678. No Brasil, foi disseminado por Frei Damião. A tradição ensina que Nossa Senhora se ajoelha no céu quando a prece é feita na terra. Esta oração fazia parte do cotidiano de vários santos que a rezavam todos os dias.  

Por ser uma longa oração, o Ofício pode ser dividido e realizado a cada três horas, orado de uma única vez, ou também pode ser cantado. O Ofício coloca Nossa Senhora em combate por nós.

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