Maio é o mês mariano por excelência. Gostaria de trazer alguns pontos sobre a espiritualidade palotina deste mês tão especial. São Vicente Pallotti tinha um amor vivo e profundo à Virgem Maria. Ele amava alguns títulos de Maria, como: Mãe do Divino Amor, Mãe do Bom Conselho, Nossa Senhora das Dores e Rainha dos Apóstolos. Sob o patrocínio desta última, ele colocou a sua fundação – a União do Apostolado Católico.

A realeza de Maria é especialmente sublinhada por São Vicente Pallotti, por ser ela, a “Rainha dos Apóstolos”. Por sua dignidade sublime de Mãe do Rei, por sua união e participação no apostolado redentor de Cristo e por sua proximidade aos Apóstolos como protetora e modelo (cf. OOCC III, 139).

A íntima união com a Virgem Maria, Mãe de Deus, a profunda contemplação da vida da mãe de Jesus e o ardente desejo de renovar o empenho apostólico de todos os fieis na Igreja levaram São Vicente Pallotti a descobrir em Maria um modelo para a realização do Apostolado na Igreja: “Maria, sem jurisdição eclesiástica e sem a autoridade específica dos Apóstolos, contribuiu tanto quanto a seu modo na propagação da fé e na expansão do Reino de Cristo.

É por isso que cada um na sua condição, no seu estado, segundo as suas forças e com fé na graça de Deus colabora como pode na propagação da fé e, por isso, mereceria o nome de Apóstolo e tudo que este fizer para cumprir sua missão será a força do seu apostolado”. (OOCC III, 141-142).

Por amar de tal maneira o título de Rainha dos Apóstolos e tê-lo confiado à sua Fundação, São Vicente Pallotti foi um dos santos que mais contemplou, refletiu e escreveu sobre tal.

Para ele, Maria é a Rainha dos Apóstolos pelo que ela representa em si mesma. Isto é, por ser a Mãe de Deus. Por sua cooperação na obra da redenção de Jesus Cristo e sua materna intercessão. Para São Vicente a realeza de Maria fundamenta-se na sua Divina Maternidade. Muitos anos depois, o grande Papa Pio XII dirá: “o principal argumento em que se funda a dignidade régia de Maria é sem dúvida a maternidade divina. Na verdade, ao Filho que será dado à luz pela Virgem, afirma-se na Sagrada Escritura: ‘chamar-se-á Filho do Altíssimo e o Senhor Deus dar-lhe-á o trono de Davi, seu pai; reinará na casa de Jacó eternamente, e o seu reino não terá fim’; ao mesmo tempo que Maria é proclamada ‘a Mãe do Senhor’ ” (Encíclica Ad Coeli Reginam, 33). Aqui está o seu mais sublime e divino apostolado.

Na visão de São Vicente Pallotti, em Maria encontramos o modelo perfeito de Apostolado. “Estando unida a Jesus mais do que todas as outras criaturas. Maria participou de modo profundo no apostolado de Jesus Cristo. Ela esteve unida a Jesus desde a sua encarnação até a morte na cruz e o acompanhou em todas as suas obras de apostolado terreno” (OOCC V, 14).

No entender de Pallotti, um místico enamorado das grandezas de Maria, não era possível conceber que, em algum momento, Maria estivesse longe do seu Filho, na sua missão terrena. Antes do protagonismo propriamente dito dos apóstolos houve um protagonismo da presença fiel de Maria (Stabat Mater) junto ao apostolado de seu Filho. Na cristologia de Vicente Pallotti, vale lembrar, Cristo é o Apóstolo do Eterno Pai.

Vamos, portanto, aproveitar dos méritos infinitos da Rainha e Senhora Nossa e implorar o seu auxílio neste mês mariano vivido em plena pandemia da Covid-19. A Virgem Maria nos acompanha e está conosco. Assim como para São Vicente Pallotti, não é possível concebermos Maria distante do Filho, o Rei. E nós, como súditos, queremos participar desta presença viva da Mãe, desejamos que ela esteja ao nosso lado, caminhando e nos sustentando em todas as adversidades deste tempo tão difícil.

Rezemos, portanto, o Santo Terço todos os dias em nossas casas com nossa família reunida. Permitindo que o Poderoso Nome de Jesus e o Doce Nome de Maria ecoe em nossos lares.

O Papa Pio XII recordava no início da Encíclica citada aqui: “desde os primeiros séculos da Igreja católica, o povo cristão elevou orações e cânticos de louvor e de devoção à Rainha do céu, tanto nos momentos de alegria, como sobretudo, quando se via ameaçado por graves perigos; e nunca fora frustrada a esperança posta na Mãe do Rei divino, Jesus Cristo, nem se enfraqueceu a fé, que nos ensina: reina com maternal coração no universo inteiro a Virgem Maria, Mãe de Deus, assim como está coroada de glória na bem-aventurança celeste” (Encíclica Ad Coeli Reginam, 1).

Nossa Senhora Rainha dos Apóstolos, rogai por nós que recorremos a Vós.