A Campanha da Fraternidade que inicia nesta na Quarta-feira de Cinzas, 2 de março, convoca os católicos a serem educadores. Recapitulando as campanhas anteriores, desde 2018 as propostas abrangem superação da violência; em 2019, as políticas públicas; em 2020, a ética do cuidado; e em 2021, a atitude do diálogo. Nota-se que a partir de 2020 os temas abordam necessidades impostas pela pandemia.

A educação foi a primeira a ser afetada pelas restrições sanitárias. Os pais assumiram a função presencial do professor. O professor teve que se adaptar, em tempo recorde, às tecnologias para passar o conteúdo pedagógico. Esse período provou as deficiências sociais e reforçou a crise no ensino que ocorre há muito tempo.

Evidenciou também a importância da pesquisa e da ciência para descobrir tratamentos, desenvolver vacinas, monitorar resultados para aperfeiçoar o combate a COVID-19 e suas variantes. Um mutirão que reforça o conceito de que “educar não é um ato isolado” e tem a afirmação em um provérbio africano: “é preciso uma aldeia para educar uma criança”.

Jesus Cristo era um grande educador. Peregrinando, ele ensinava a superação do pecado, a preservação da vida, atingia a consciência e transformava relações. Naquela época, tudo se baseava na Lei da Torá, uma educação que pregava a punição e o castigo.

Na passagem da mulher adúltera, ocorre o confronto de duas pedagogias: a que está escrita, que seria a Torá, e a de Jesus que escuta, analisa e define a ação. Ou seja, o que está escrito é importante, mas a forma de ler, bem como a análise, é decisiva para avançar no caminho da vida.

Na campanha da fraternidade temos três pontos importantes que mostram a pedagogia de Jesus com a mulher adúltera. Escutar: Jesus escuta as acusações, avalia a situação e pondera o episódio.

Discernir:  Nesse momento Jesus usa da empatia para questionar: “Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra (Jo 8,7).” Quem acusa reflete seus próprios atos e se mostra indigno de julgar uma infração que eles próprios são passíveis de cometer igual ou equivalente.

Agir: “Eu também não te condeno. Vai e, de agora em diante, não peques mais (Jo 8,11).” Vida nova para mulher.

E tendo em vista esses três tópicos a campanha reforça que “Educação não é condicionamento ou adestramento. É conduzir e acompanhar a pessoa para sair do ‘não saber’ rumo à consciência de si mesma e da comunidade em que vive.”

Esse aspecto não se restringe às crianças, mas a todos nós, pois é fácil aprender sobre cultura geral ou novas tecnologias, mas é difícil aprender sobre nós mesmos. A partir desse ponto, o autoconhecimento, podemos reverter a tendência de esvaziamento do coletivo e da crise do compromisso comunitário, pois ser individualista distorce o objetivo do coletivo por um bem maior.

NOVA REALIDADE

Com a pandemia sempre questionamos sobre a nova realidade. A nova realidade vai acontecer na capacidade de cooperação que, no Evangelho, é a vida em plenitude (Jo 10,10). Essa cooperação é importante, pois uma pessoa não é completamente cidadã se não consegue fazer leitura crítica, argumentação e interação em uma sociedade letrada.

Em termos práticos, devemos nos inteirar sobre parcerias na formação dos professores, ter conhecimento das políticas públicas da educação para cobrar e contribuir, dinamismo no ensino religioso, e, nas universidades, um acompanhamento mais assíduo dos obstáculos que alunos e professores enfrentam.

Nossa missão como cristãos é colaborar na construção de uma educação realmente inclusiva e de qualidade, e parar de pensar que essa missão é apenas dos docentes ou restrita à sala de aula. A Vida é um aprendizado constante, tanto nosso como dos que convivem conosco, não tem divisão.

PODCAST SOBRE A CAMPANHA

Ouça o podcast sobre a Campanha da Fraternidade preparado pela Pascom Brasil acessando o link (https://open.spotify.com/show/2utYAcKrZ5c1r3OMh4uSmW?si=df0VKHQBRiKuXJj4N5lczA)