A tradição popular celebra, com viva fé e solene devoção, a festa de São João Batista, ao passo que a Igreja celebra a Solenidade do seu nascimento. De fato, entendendo o que o Senhor Jesus afirma em Mateus 11, a Igreja celebra o nascimento de São João Batista como Solenidade, justamente porque ele foi o último e maior dentre os profetas, sendo precursor do Messias esperado pelo povo de Israel e pela impetuosidade de sua pregação.

A Solenidade de 24 de junho demonstra aos fiéis católicos que somente celebramos, com louvor, pela liturgia da Igreja, três nascimentos: o de Nosso Senhor, o da Virgem Maria e o de São João Batista.

A Faculdade de Teologia da Universidade de Navarra, na Espanha, afirma que “A dignidade do Precursor está em apresentar Cristo, em dá-Lo a conhecer aos homens. Deus tinha de conferir a alta missão de preparar os seus contemporâneos para escutar o Evangelho. A fidelidade do Batista é reconhecida e proclamada por Jesus. Este elogio é um prêmio para a humildade de João que, consciente da sua missão, tinha dito: “É necessário que Ele cresça e eu diminua” (João 3,30).

Aqui percebemos um “paradoxo da humildade”. Se, de acordo com os evangelistas, João se autodenomina “aquele que não é digno de desamarrar as sandálias” (Mt 3; Jo 1) do Senhor Jesus, ao mesmo tempo é considerado o maior profeta. Portanto, pode parecer que a afirmação do Senhor entra em contradição com a inauguração do seu novo estilo de considerar o grau de importância entre os homens: ser o menor dentre todos, principalmente na ordem da humildade. Mas, como já notamos, o Precursor obtém seus méritos pela dignidade de sua missão na Economia da Salvação, e nem tanto por se considerar tal pessoa importante.

O historiador judeu chamado Flávio Josefo, em suas Antiguidades Judaicas (18.5.2. §116-119) não apenas atesta a existência histórica de João Batista, mas fala da grande influência que exercia nas camadas populares, a ponto de Herodes, que temia uma insurreição, ordenar o seu assassinato. A consciência da missão do Batista se confirma com a sua morte injusta, pelas mãos de Herodes, na memória celebrada pela Igreja do seu martírio, em 29 de agosto.

Porém, diferente de todos os outros santos e santas, o seu nascimento para a vida terrena tem maior sentido de celebração solene pelos católicos, do que o de seu nascimento para a eternidade. É o fator que evidencia a importância de sua missão: ser o “maior dentre os nascidos de mulher”, significa que ele exerceu um ministério único e incomparável a partir da ordem do Antigo Testamento, superando Moisés, Jeremias, Isaías, Ezequiel, Elias, Daniel, Oseias etc. 

São João Batista nos ensina a buscar a virtude da humildade, bem como a verdade em todas as circunstâncias, mesmo no sofrimento. A seu exemplo, perceberemos que a Igreja de Jesus pode ser perseguida e maltratada, mas se mantém viva, com os olhos fixos em Jesus.

Fr. Jon Eslen Amorim da Silva, SAC, consagrado palotino

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