Um ano que se inicia é sempre portador de esperança, espera de coisas que a fé não pode ignorar, mas, encaminhar e iluminar.

No ano que passou, vivemos muitas situações diferentes e estranhas, mas procuramos manter acesa a chama da fé, tal como uma vela que ilumina o túnel escuro da existência… ajudando-nos em sua travessia.

E o que nos reserva o ano de 2021? Esta é uma pergunta que certamente deve incomodar o coração de muitas pessoas. Seria bom se soubéssemos o que nos reservam nossos próximos dias, as semanas que seguem e os meses que estão por vir. Para um cristão, como sempre, temos diante de nós um grande mistério. É importante que o tempo que se inicia não seja como água que escapa entre os dedos, mas seja kairós, para que se faça nascer, de dentro, uma parte melhor de nós.

Para iniciar o ano, a Igreja medita o texto evangélico que diz: “[os pastores] foram e encontraram Maria e José e o menino deitado na manjedoura” (Lc 2,16). Todo o extraordinário da vida está escondido na normalidade de uma família, que em certos momentos não passa bem, e que descobriu quão verdadeiro, para enfrentar todas as adversidades, é amar. Para Maria e José a vida se apresentava como uma grande incógnita. A grande diferença está no fato que Maria sabia que seu sim havia mudado a história, e que o importante era conservar as coisas no coração, e meditar os mistérios de Deus – a esperança.

Ter fé não implica conhecer o amanhã, mas ter a capacidade de abrir espaço no coração às coisas que acontecem, deixar que cada coisa se sedimente, seja refletida e revele-se a nós.

A ansiedade, que inúmeras vezes se apresenta em nossa vida, é, em muitas situações, falta de interioridade. Só quem cultiva seriamente a interioridade consegue descobrir, no fundo desta, a vida espiritual.

Sigamos o exemplo dado por Maria, neste ano que se inicia, e tenhamos como propósito: descobrir e desenvolver a capacidade de escutar a partir das coisas que nos acontecem, e de todas elas extrair um sentido…

O ano de 2020 foi deveras difícil, mas esperamos que tenha sido uma oportunidade para o crescimento na fé e na espiritualidade. E a todos aqueles que estiveram conosco nas iniciativas paroquiais, e àqueles que, longe dos holofotes e no silêncio do trabalho mais humilde e discreto, colaboraram com o Reino de Deus, queremos dar um sincero agradecimento. Como Jesus nos diz, nunca esqueçamos que somos servos inúteis e fazemos o que devemos fazer (cf. Lc 17,10). Um bom ano a todos! O vosso servo e pároco! Padre Bruno Áthila.