A paroquiana Rosa Diniz pratica a Leitura Orante (Lectio Divina) diária desde 2008. Ela conheceu a prática no começo dos anos 2000, quando se preparava para ser animadora dos Grupos Bíblicos de Reflexão (GBRs). “Para ser animadora tinha que fazer o estudo, ter estudo, conhecimento teológico e crescer na espiritualidade. E a prática em grupo me levou à prática individual”, conta Rosa.

O termo Leitura Orante significa leitura divina, leitura lenta e atenta da Palavra de Deus. É uma maneira orante de fazer a leitura da Bíblia, dialogando com Deus a partir de sua Palavra.

“A Leitura Orante não é estudo e nem experiência extraordinária. É um modo orante de ler a Bíblia, para “escutar o que Deus tem a lhe dizer, conhecer a sua vontade e viver melhor o evangelho de Jesus Cristo” (Frei Carlos Mesters), numa atitude de humildade e disponibilidade. “Fala Senhor que teu servo escuta”. (1 Sm 3,10).“Faça-se em mim segundo a tua Palavra”. (Lc 1,38)”, explica a Irmã Solange das Graças Martinez Saraceni, ICP, doutoranda na PUCRio.

A irmã ensina que para praticar a Lectio Divina é preciso desenvolver um vínculo afetivo com a Palavra de Deus.  “É preciso criar o hábito de rezar a Palavra diariamente. Exige atenção, disciplina, assiduidade, humildade, gratuidade e prontidão para acatar os ensinamentos divinos”, afirma a Ir. Solange. 

Além disso, faz-se necessário praticar o método da leitura orante, estando atendo a cada passo (leitura, meditação, oração e contemplação).  É uma escada, que a cada degrau te aproxima de Deus. 

O primeiro degrau da escada é a leitura o texto bíblico propondo-se a responder a pergunta:  O que o texto diz em si mesmo? “É um processo lento, onde o leitor precisar ler várias vezes o texto, até se familiarizar com a Palavra, sendo capaz de contar espontaneamente o texto lido”, explica a irmã. 

Ao ler o texto sagrado não se pode desconsiderar o contexto em que foi escrito. Faz-se necessária uma leitura atenta e lenta para não manipular o texto. Aconselha-se, na medida do possível, que se valha dos níveis: literário, histórico e teológico. 

O segundo degrau é meditar “o que o texto me diz hoje”? A Leitura Orante é como um espelho que reflete o passado no presente, no chão concreto do dia-a-dia, ensina a Ir. Solange. 

“Propõe-se uma reflexão profunda e interpeladora como fez Maria (Lc 2,19. 51). A Palavra faz uma conexão entre o texto e a vida, entre nós e Deus”, diz a irmã. 

A meditação indica o esforço que se faz para atualizar o texto e trazê-lo para dentro do horizonte da vida e realidade, tanto pessoal como social. Outro modo de meditar é “ruminar” a Palavra, repetindo várias vezes o versículo que mais chamou a atenção, saboreando-a até que ela ilumine a missão (Ez 3,1-3). 

“A meditação nos ajuda a compreender, pela ação do Espírito Santo, o próprio Deus (2 Tm 3,16), e a entender o sentido pleno da Palavra (Jo 16,13). Quando a Palavra provoca desejo de falar com Deus, então chegou o momento de subir mais um degrau.”

O terceiro degrau é o louvor. Acontece quando se é capaz de perceber à luz da leitura e meditação os apelos de Deus. É quando a Palavra lida e meditada provoca um diálogo com Deus. Os questionamentos feitos pela Palavra se tornam oração, motivo de louvor, súplica, ação de graças, arrependimento, intercessão. 

O último degrau é a contemplação. O ápice, o ponto alto do método e o resultado da assimilação da Palavra de Deus no coração humano. Leva a dar uma resposta a Deus assumindo compromissos de acordo com a Palavra: “O que o texto me (nos) leva a viver”? A contemplação não requer palavras, mas um silêncio contemplativo. Ela convida à conversão, ao compromisso, leva a ação.  

“A aprendizagem do método não se dá de uma hora para outra. Exige conhecimento, empenho, perseverança e fidelidade. A aprendizagem do método vai se dando num processo, bem como os frutos espirituais vão se evidenciando na vida”, revela a irmã. 

“Convido vocês a lerem o número 247 do documento de Aparecida, podem baixar o documento da internet. Lá diz que a Leitura Orante é uma das formas privilegiadas de se aproximar das Sagradas Escrituras e consequentemente de Deus. Diz que ela quando bem praticada conduz ao encontro com Jesus Cristo, o Mestre, semelhante ao modo do encontro pessoal de tantos personagens bíblicos. Vamos resgatar este método em nossas orações, nos estudos dos Grupos Bíblicos de Reflexões, nas pastorais e movimentos”, diz a Ir. Solange. 

De degrau a degrau 

Quando iniciou o método da Leitura Orante Rosa levava de uma hora e meia a duas horas para completar os passos. “Eu misturava os passos, mas com a prática constante e buscando me aprofundar fui encontrando o entendimento”, revela Rosa. 

Rosa Diniz busca um local silencioso para sua leitura orante diária

Na hora de fazer a leitura orante, Rosa busca um local silencioso. Ela tem três espaços na sua casa onde preparou um altar: na sala, no quarto e no escritório. Ela medita o leitura do dia, geralmente o Evangelho do dia. 

“Dificuldade com o método, para quem está iniciando, é seguir os passos. Eles se entrelaçam e as pessoas querem fazer os passos muito rápido. E quanto mais você faz a leitura orante, mais você quer buscar conhecer a Palavra. É uma oração que deixa o coração queimando. Sinto que fazendo a leitura orante é uma conversão. Você pode ler o Evangelho várias vezes e ele vai tocar o seu coração cada vez diferente”, afirma.  “É um encontro pessoal com o Divino”, completa. 

Estudo bíblico 

Setembro é o mês da Bíblia e para marcar a data, os Grupos Bíblicos de Reflexão organizaram um mês de estudo da Palavra de Deus. Os encontros marcam também o retorno presencial dos GBRs, que estavam apenas on-line em virtude da pandemia. 

O estudo começou no dia 2 de setembro, com o Dia da Palavra e segue todas as quintas-feiras do mês, às 20h, na igreja. Os encontros também serão transmitidos pelo Facebook e pelo Youtube da paróquia. 

Pegue sua Bíblia e seu livrinho do GBR e venha subir mais um degrau da escada da espiritualidade e intimidade com Deus.