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Memórias de um passado glorioso

Quando os palotinos chegaram em Londrina depararam-se com uma cidade bem pequena, quase um vilarejo, porém, com grandes perspectivas e grandes sonhos. Os próprios padres vindos da Alemanha avistavam na Londrina de outrora uma cidade de Deus, onde a semente do Evangelho germinaria, floresceria e daria frutos em abundância… e aquele padre palotino alemão, o Pe. Carlos Dietz, SAC, uma espécie de Frei Coimbra, seria então, o primeiro pároco da cidade. Homem de grande envergadura espiritual. Em 11 de março de 1934 foi celebrada a primeira missa sob um altar em uma capela feita de palmito, erguida em uma clareira na mata.

Foram homens de Deus, assim como o padre Carlos, que trouxeram do Santo Pai Fundador a devoção a Rainha dos Apóstolos, que desde o início da “Fundação da Pia União do Apostolado Católico”, veio a ser a padroeira de toda a obra que abrigava nos seus umbrais os padres, os irmãos, as freiras, os leigos e todos aqueles que se simpatizavam com este carisma de grande vivacidade.

São Vicente Pallotti era um homem de visão. Era um empreendedor espiritual, daqueles que quando “batem o olho” sabem dar a resposta adequada ao desafio da realidade desejada: ele sabia ver todas as possibilidades que os batizados tinham a oferecer na obra da Evangelização. Tudo isto em um tempo em que quase não se falava de evangelização na milenar Roma, uma cidade tomada pelo desânimo e pelas profundas convulsões políticas instigadas pelo avanço de Napoleão Bonaparte.

Os palotinos que chegaram a Londrina vieram com este espírito e iniciaram uma árdua e apaixonante caminhada nesta cidade.

Como é bom revisitar a nossa história. A história de Londrina. E que alegria saber que os palotinos fazem parte dela e ajudaram a construi-la. Não podemos esquecer as nossas raízes espirituais. E nesta cidade, elas passam necessariamente pelos padres e irmãos palotinos e as amadas irmãs de Maria de Schoenstatt.

As igrejas construídas pelos palotinos no início deste maravilhoso caminho ajudaram a estabelecer vínculos, criar referências. “Onde não há templos não existem moradas”, assim diziam os gregos. Os primeiros palotinos criaram as referências da vida de fé desta cidade e vínculos entre as pessoas de diversas origens que começavam a povoar esta incipiente zona do Brasil.

Nestes dias em que celebrávamos a nossa padroeira Rainha dos Apóstolos pensava muito sobre esta história, sobre as memórias desta cidade tão linda, tão jovem e com grandes potenciais para a fé: “Deus habita esta cidade, a cidade do Senhor, que ele a guarde eternamente” [cf. Salmo 47,9].  Resta-nos refletir sobre qual Londrina queremos de agora para frente? Olhar o passado com honestidade nos ajudará a colocar as bases de um presente cheio de esperança, que promete muito: vida, fé. Uma Igreja que caminha. Igreja que segundo o Papa Francisco não quer ser um ninho, isto é, “reunir-se à volta do próprio grupo, das próprias preferências, o semelhante com o semelhante, alérgicos à toda contaminação”.

A nossa Igreja Rainha dos Apóstolos conserva esta história. A madeira que a reveste, primitiva da cidade de Londrina quando ela era ainda “mais mato do que gente”, uma igreja que nos conta da criatividade, do amor à beleza, à arte, do Deus Absoluto e Senhor. Nossa igreja revela os traços da cultura alemã que se misturou com a vida dos imigrantes.

Os palotinos deram à igreja de Londrina o perfil de fé, a espiritualidade robusta, a vivacidade apostólica. Como é bom fazer parte desta história e sermos continuadores desta herança. Orgulhe-se de ser filho e filha desta paróquia e ame a Igreja Particular de Londrina pela qual muitos deram o sangue, a vida, as forças, as suas melhores energias…

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