Para este mês, proponho como reflexão a vida espiritual como caminho de santificação. Esta seria a primeira parte de uma reflexão sobre esta temática que considero de suma importância para nossa vida paroquial. O que é, de fato, uma vida espiritual? Como membro de uma Igreja, de uma paróquia o que devo fazer para viver uma intensa vida espiritual? É fato que não existe vida cristã sem vida espiritual! Por isso, é fundamental que, como Igreja, nós tenhamos como prioridade fundamental introduzir os irmãos e irmãs na experiência de Deus, em uma vida de relação com Deus, já que como diz o Papa Francisco, a Igreja não é uma ONG. Mas é família de Deus, é povo sacerdotal, é povo redimido pelo sangue de Jesus.

 É fundamental reafirmar isso, já que há sempre o perigo da ânsia pastoral, que nos leva a um acúmulo de atividades. Há sempre o perigo de esquecermos que uma experiência de fé para ser verdadeira não pode prescindir de uma relação pessoal com Deus vivida em um contexto comunitário, radicada na escuta da Palavra de Deus, plasmada pela Eucaristia e articulada em uma vida de fé, esperança e caridade. A fé deve nos conduzir a uma experiência real de Deus, colocando-nos na dimensão da vida espiritual, que é a vida guiada pelo Espírito.

Quem crê em Deus deve fazer uma experiência de Deus: não basta ter “boas ideias” sobre Deus. E, esta experiência, sempre acontece na fé e não na visão, como lembra Paulo: “nós caminhamos por meio da fé e não da visão” (2 Cor 5,7). É uma experiência que nos surpreende e que se impõe  como dom, como o caso da experiência vivida por Jacó: “o Senhor está aqui e eu não sabia” (Gn 28,16). E muitas vezes, em sua grande maioria, a experiência espiritual é marcada pelo silêncio, pelo vazio e de uma aridez intensa, o que nos leva a concordar com Jó: “Se vou adiante, Ele não está, se vou para trás, não O sinto; à esquerda, eu o procuro e não o encontro, me volto para a direita e não O vejo” (Jó 23,8-9). Também através do silêncio cotidiano Deus pode nos falar. Deus, de fato, age através da vida, através da experiência que a vida nos permite fazer, através das crises, dos momentos de escuridão para os quais a vida muitas vezes nos arrasta.

A experiência de fé é, antes de tudo, a experiência de ser precedido: Deus nos precede, nos procura, nos chama, antecipa-se a nós. Não nos cabe e não nos é possível inventar o Deus com o qual queremos nos relacionar. Ele já está! Já é! Antes de nós, obviamente! E, esta experiência, é necessariamente mediada por Cristo: “ninguém vai ao Pai senão por mim” (Jo 14,6). Isto significa que a experiência espiritual é experiência de filiação. Sim! Filhos no Filho Jesus Cristo: esta é a promessa e este é o caminho aberto pelo batismo que um dia recebemos.

Que saibamos encontrar o caminho para um aprofundamento da vida espiritual verdadeira, aquela que segue a esteira da tradição bimilenar do Cristianismo e que foi revisitada pelo Concílio Vaticano II, reproposta como caminho de fé para o cristão de nosso tempo.

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