A violência está tão implícita até nas pequenas coisas do dia-a-dia que fica difícil uma mudança para reverter esta situação. Isto, pelo menos, é o que ficou evidente no debate realizado na noite de quarta-feira, dia 18 de abril, no auditório da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, como parte das atividades da Semana Missionária nas paróquias do Decanato Centro.

O representante do Conselho Municipal da Cultura de Paz, Luis Cláudio Galhardi, disse que para haver esta mudança de mentalidade é preciso que as pessoas sejam educadas para a paz, o que não acontece hoje. Mesmo assim, ele se diz otimista para que isto ainda venha a acontecer. Segundo ele, a educação para a paz deve começar pela própria linguagem que as pessoas usam diariamente.

Outra participante do debate foi Cintia Helena dos Santos, do Patronato Penitenciário de Londrina. Ela falou, entre outros assuntos, que a violência está diretamente relacionada com a educação e explicou que a maior parte da população carcerária no Brasil não passa do quinto ano do ensino fundamental. A baixa escolaridade, entretanto, não significa que não haja violência entre as camadas mais privilegiadas.

Sentados à mesa, da esquerda para a direita, Luis Cláudio Galhardi, do Conselho Municipal da Cultura de Paz, Elve Miguel Cenci, professor da Universidade Estadual de Londrina, e Cintia Helena dos Santos, do Patronato Penitenciário de Londrina

Cintia disse ainda que a educação não formal, aquela que a pessoa recebe em casa, pode contribuir para a redução dos índices de violência.

O professor Elve Miguel Cenci, da Universidade Estadual de Londrina, disse, por sua vez, que a violência verbal pode ser tão agressiva quanto a violência física.

Questionado sobre o elevado índice de suicídios entre jovens, ele apontou como principal causa a falta de maturidade da geração atual, que considera “excessivamente protegida” por seus pais, o que gera pouca resistência para as decepções e sofrimentos, que são normais na vida de qualquer pessoa.

O professor também foi questionado sobre como a corrupção interfere nos índices de violência. Segundo ele, há uma relação direta entre corrupção e violência, mas destacou que a corrupção não acontece apenas nas altas esferas, estando presente também em pequenas atitudes das pessoas quando procuram levar vantagem ou usar artifícios para conseguir o que desejam, do famoso “jeitinho brasileiro”, embora as pessoas não se deem conta disso.

O debate foi mediado pelo padre Manuel Joaquim Rodrigues dos Santos, da Paróquia Santana. Cerca de 200 pessoas participaram do evento. air max 95 air max 95